Carolina Ferraz bela aos 50

A atriz brilha no teatro além de lançar novo livro “Na Cozinha com Carolina 2”

Carolina Ferraz bela aos 50
Carolina Ferraz bela aos 50
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Por Michele Marreira

Estrela nacional da teledramaturgia, Carolina Ferraz aproveita nova fase profissional e pessoal para avaliar tudo que viveu e conquistou até aqui. O resultado do balanço é positivo. Principalmente a chegada aos 50. Dona de uma energia contagiante, impossível não notar sua determinação frente às situações adversas e contemplativas. Carolina não é o tipo de pessoa que se deixa abater facilmente. Com uma trajetória vitoriosa no ofício da atuação, conseguiu transitar muito bem pela TV e teatro, passando pela sétima arte, imprimindo assim sua identidade cênica nos gêneros dramáticos e cômicos, tudo sempre na medida. Sua estreia em novelas aconteceu em 1990, na extinta Rede Manchete na trama rural “Pantanal”. Em “Por Amor”, história escrita por Manoel Carlos, sua química com o colega Eduardo Moscovis foi tão certeira, que na época o público consagrou o casal fictício como o principal do folhetim, deixando os protagonistas de escanteio. Recentemente a atriz lançou seu segundo livro de culinária intitulado “Na Cozinha com Carolina 2”, outro sucesso em sua vida: a gastronomia. Em cartaz no Teatro Folha no espetáculo “Que Tal Nós Dois? ” ao lado de Otávio Martins, La Ferraz conta mais detalhes de sua trajetória nessa entrevista. Deleite-se.

Revista Total: Fala um pouco da sua personagem na peça “Que Tal Nós Dois?”.

Carolina Ferraz: Minha personagem é uma mulher romântica, muito feminina, empoderada, acredita em sua força profissional e na inteligência que possui. No meio do caminho, as questões afetivas adquirem o real valor, ela se pega perdidamente apaixonada. Essa peça mistura a complexidade do desempenho emocional e a evolução profissional de um casal, tudo isso com muito humor e risada.

O que o público pode esperar dessa comédia? E como tem sido a parceria com o Otávio Martins?

Durante os poucos dias que eles têm nessa convenção precisam abordar diversos assuntos: o que aconteceu no ano, como está a vida, quem teve filho, falar de seus relacionamentos com os cônjuges… Todos têm pouco tempo prático para resolverem complicações e, quando não às tem, simplesmente precisam estar cientes do que acontece um na vida do outro. É um espetáculo dinâmico! Minha parceria com o Otávio é antiga, existe um carinho enorme, além de uma admiração profunda por seu profissionalismo. É um excelente ator, autor e diretor. O público verá dois atores em cena que se gostam, se respeitam e se divertem tanto quanto a plateia.

Qual a mensagem que o espetáculo deseja passar ao expectador?

A peça não se propõe a debater nenhum tema especifico. Não é esse o objetivo do espetáculo e tampouco deixa uma mensagem. A minha personagem evolui muito profissionalmente; inicia numa empresa como uma simples funcionária e termina na função de executiva. Empoderada e recebendo um salário alto, é a dona do próprio nariz e opta por estar nessa relação. Enquanto o personagem do Otávio provavelmente começa na mesma posição nessa empresa, conseguido galgar os caminhos hierárquicos, mas ela se torna sua chefe no decorrer da história. Como pano de fundo tem um pouco dessa questão do feminismo e machismo; como o casal se comporta quando a mulher tem mais recursos do que o homem? A moral da história é que bom humor na vida é tudo!

Qual gênero exige mais do ator: drama ou comédia?

Eu sempre gostei mesmo de comédia. A primeira oportunidade real que tive no gênero foi com o [autor] Carlos Lombardi na novela Kubanacan. Foi um presente ele ter apostado em mim como uma atriz cômica, uma experiência maravilhosa. Éramos amigos e companheiros durante àquela trama: Adriana Esteves, Vladimir Brichta, Marcos Pasquim, Nair Bello e Danielle Winits…trabalhávamos loucamente, mas era uma delícia fazê-la. Fui aprendendo. Hoje em dia eu tenho uma experiência maior no gênero, entendo a importância da técnica. A comédia é uma musculatura que de fato melhora com o tempo; quanto mais estudamos e exercitamos, melhor ficamos. Tenho esse interesse de me aprofundar na técnica cômica, embora eu não seja uma comediante. Adoro um bom drama, quando faço uma cena que me exige concentração e emoção. O mais bacana é ser um ator que consiga transitar em todos os gêneros. De um modo geral, algumas pessoas possuem uma veia cômica e outras dramáticas, buscando eficiência em ambos.

Bateu alguma crise ao completar 50 anos?

Completar 50 anos foi libertador! Eu me sinto tão jovem, porém, envelhecida para outras coisas, portanto, mais experiente. Há uma série de coisas na vida que não perco mais o meu tempo, pulo determinadas etapas. Procuro me dedicar às coisas que me interessam, de modo sadio, profundo e tranquilo. Existe uma tendência mundial em super valorizar a mulher madura; seja na Europa ou Estados Unidos. Pode observar que a Jennifer Aniston faz campanha de água, a Julia Roberts é a estrela da [marca francesa] Lâncome, a Penélope Cruz e a Uma Thurman fazem propaganda de outra marca de perfume, Nicole Kidman, Jennifer Lopez, Julianne Moore sempre estão em grandes campanhas também. Ou seja, todas têm mais de 47 anos. E no Brasil? É um mercado pouco explorado não somente pela dramaturgia, mas pelo próprio mercado de consumo. Sou uma mulher realizada profissionalmente, conquistei uma série de coisas. Tenho minha família, certo poder aquisitivo, posso consumir e me identificar quando vou ao teatro, vejo um filme ou assisto a uma novela que se refira a mim, sem essa obsessão pela juventude. Aqui não existe essa tendência! Infelizmente no Brasil há uma obrigatoriedade e um comprometimento enorme com a juventude.

Ser reconhecida como uma das mulheres mais elegantes do meio artístico te envaidece?

Eu fico extremamente feliz quando as pessoas me acham chique. A sofisticação se expressa não exclusivamente da maneira que nos vestimos, e sim nos comportamos. Eu basicamente uso calça jeans, camiseta, blaser ou um casaco. Se você fizer uma pesquisa de como eu me vestia aos 20 anos, é muito parecido com a atualidade. As pessoas talvez associem meu comportamento à ética, procuro me tornar uma pessoa melhor, conquistar o direito de ser uma alma nobre, me comportando de maneira saudável na sociedade em que ocupo. É um privilégio ser observada dessa maneira, pois é algo natural. Não sou uma pessoa que super se produz, maquiada todos os dias, tampouco vou ao cabeleireiro sempre. Sou vaidosa, claro. Me cuido, trato minha pele, arrumo meu cabelo, tudo isso. Porém, gosto de manter minha aparência como eu sou de fato, tento expressar através das minhas atitudes.

Se aprofunde mais nos contando sua relação com esse universo da moda.

Adoro a moda. Tenho amigos designers, produtores e editores que trabalham nesse universo. É um mundo bem criativo, frenético, vibrante e que muda o tempo todo. É genial essa coisa fugaz e ao mesmo tempo bonita. Porém, não acho que seja fundamental. Podemos viver sem aquele determinado sapato, bolsa ou casaco. É legal observar enquanto movimento da sociedade, de que forma a moda se expressa e traduz naquele momento.

Quais são seus segredos de beleza?

Minha alimentação é normal; tomo café da manhã muito cedo, sete horas, almoço por volta do meio-dia e janto umas oito da noite. Como de tudo. Gosto de alimentos frescos e saudáveis, muitas vezes eu mesmo preparo minha própria comida, uma grande responsabilidade, porque quando cozinhamos nos preocupamos com a matéria-prima, que faz toda diferença. Um bom produto, legume, carne, peixe fresco faz diferença no resultado. Meu segredo de beleza? Eu brinco com as pessoas que são os três litros de água que eu bebo! Mantenho minha pele sempre limpa e hidratada, diariamente.

Uma viagem marcante e um livro interessante?

África é incrível, fui ao Quênia e Tanzânia, os lugares mais lindos que já conheci. Amei a Patagônia! O extremo sul do nosso continente, da América Latina, tanto a parte argentina quanto chilena é uma verdadeira poesia. São lugares bonitos que sempre me lembro com muito carinho. Existem tantos livros excelentes, não li nem o terço das publicações que gostaria. Amo o livro “Amor nos Tempos do Cólera” do Gael Garcia Márquez.

Existe receita de felicidade?

Se existir receita para felicidade, por favor, me digam, vamos dividir com a humanidade (risos). Me considero uma pessoa feliz, apesar de todas as dificuldades que eu enfrentei e enfrento. A vida é uma batalha né gente? Quando passamos por algumas situações vamos aprendendo, nos aprimorando. Às vezes é mais fácil, triste ou alegre, mas viver é muito bom! Sou uma pessoa solar, otimista, acredito que as coisas sempre darão certo. Talvez o segredo da felicidade seja olhar para as coisas com um pouco de complacência, ser generoso com o outro. Precisamos parar de pensar só em nossos umbigos, dividir nossa atenção com o próximo, ajudá-lo. É preciso praticar esse exercício diário: compartilhar, doar, entregar, estar disponível para ajudar seu semelhante.