Ford Maverick

Sonho dos adolescentes dos anos 70, o Maverick GT trouxe a mística dos V8 americanos esportivos para as ruas brasileiras

Ford Maverick
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Com o Opala, a GM ocupava a faixa dos carros médios e disputava com a Ford o segundo lugar entre as montadoras – a Volks vinha tranquila na primeira posição. O Aero Willys deixou, ao sair de linha em 1971, a Ford sem um modelo para combater o Opala.

Para cumprir essa missão foi escalado o Maverick, produzido desde 1969 nos Estados Unidos. Depois de passar por dois anos de testes e aclimatação às nossas condições, o Maverick foi lançado em junho de 1973, nas versões Super, Super Luxo e GT. No final do ano sairia a de quatro portas. Os modelos tinham, de série, o motor de seis cilindros, uma evolução do velho 3000 que equipava o Itamaraty, versão mais luxuosa do Aero Willys. Mas a estrela da linha era mesmo o GT, um esportivo com o motor V8 302 de 197 cavalos, que era opcional nos outros veículos.

O motor V8 302 é o mesmo que equipava o Mustang. Logo no lançamento, o teste de QUATRO RODAS registrava as marcas do novo “monstro”. Apenas 11,6 segundos na prova de 0 a 100 km/h e 178 km/h cravados na máxima.

A alavanca do câmbio de quatro marchas, bem próxima do motorista, faz com que se mudem as marchas com facilidade e rapidez. Durante a troca, uma acelerada, para ouvir o som dos oito cilindros embalando a agulha do pequeno conta-giros sobre o volante.

No painel de instrumentos, o minúsculo conta-giros dava o toque de esportividade, a direção hidráulica é exageradamente leve e não transmite segurança compatível com o entusiasmo. O carro parece “flutuar”. Está longe da precisão e da progressividade dos modelos atuais.

Mas poucos quilômetros de estrada são suficientes para uma boa adaptação. O interior todo negro é espaçoso apenas para os passageiros da frente. Ele inspirava mesmo era competição e desafio. Nas noites dos anos 70, os “rachas”, comuns em São Paulo, não começavam sem a presença deles. Seu principal oponente era justamente o Opala, que compensava o fato de ter motor menor com um peso inferior ao do Maverick. A briga ficou feia para o Ford quando a GM lançou, em 1975, o motor 250-S, uma evolução mais “nervosa” do tradicional seis cilindros.

O escapamento original do Maverick GT tinha apenas um cano, a Ford ameaçou responder com o Maverick Quadrijet, equipado com carburador quádruplo e comando de válvulas especial que serviria de fortificante para o V8. Ficou só na ameaça. Mas o pior ainda estava por vir. Em 1977, a crise do petróleo levou a Ford a substituir o velho seis cilindros pelo novo 2.3 de quatro cilindros. Essa opção, que acabou dominando o mercado, também foi estendida ao GT, relegando o V8 ao papel de bebedor compulsivo. O GT foi produzido ao longo de sete anos.

Quase 45 anos depois, acelerar hoje o Maverick é coisa de cinema. O borbulhar do V8 faz lembrar as cenas de Bullitt, filme em que Steve McQueen voa pelas ladeiras da cidade de San Francisco pilotando um Mustang no encalço dos bandidos que estão a bordo de um Dodge Charger.

Por Sérgio Berezovsky