Mais uma vitória do Real

Após uma inflação muito acima do teto da meta em 2015, Banco Central conseguiu domar o “dragão” após troca no comando em 2016

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O Real completará em 2017 seu 23º aniversário. Após vencer muita desconfiança à época de sua implementação e muitas crises externas e internas, a moeda brasileira passou por mais um período de instabilidade nos últimos 2 anos, mas resistiu aos “ferimentos” e se manteve firme, pronta para funcionar plenamente na retomada do crescimento que observaremos nos próximos anos.

A política monetária brasileira funciona desde 1999 pelo sistema de metas para a inflação, tendo como principal instrumento a taxa básica de juros SELIC, ou seja, a inflação deve atingir uma determinada meta (possuindo bandas de variação para cima e para baixo). Por exemplo, quando a expectativa para a inflação é de aumento (seja pelo aumento dos gastos do governo, ou por um choque externo que leve a um aumento do dólar) o BC deve aumentar a taxa de juros, para reduzir os gastos na economia, como consumo e investimento, e atrair capitais, levando a uma valorização cambial.

Já quando a expectativa é de queda da inflação, o BC pode reduzir a taxa de juros. Esse segundo exemplo é o que temos observado esse ano, mas não era o caso do período 2011-2012, quando o Banco Central reduziu em 5,25 pontos percentuais a taxa SELIC. Isso fez com que a autoridade monetária perdesse credibilidade junto ao mercado.

Até que em 2015, com o estouro da crise econômica, a inflação foi para as alturas. O governo havia segurado diversos preços administrados (como a gasolina) em 2014, o que levou a um grande aumento desses em 2015, o dólar subiu a patamares muito altos, aumentando o preço dos produtos e serviços que possuíam insumos ou materiais importados, e o déficit fiscal do governo aumentou significativamente. Todos esses fatores, aliados à falta de credibilidade do Banco Central, fizeram com que a inflação de 2015 fosse de 10,67%, mais de 4% pontos percentuais acima do teto da meta. Sem sombra de dúvidas, uma das grandes mazelas deixadas pelo governo Dilma foi a péssima condução da política monetária.

A expectativa de mercado no início de 2016 era de que, mesmo com uma SELIC de 15,25%, a inflação ficaria acima do teto da meta novamente, mesmo com a recessão econômica, que tende a reduzir a inflação. Porém, com o impeachment, que levou Ilan Goldfajn à presidência do BC, o mercado passou a ter mais confiança na autoridade monetária e no governo como um todo. Ilan esperou que as expectativas de inflação caíssem até um patamar adequado para iniciar a queda da taxa de juros. Mesmo com a continuidade da recessão, o BC só realizou o primeiro corte da SELIC em outubro de 2016, conseguindo manter a inflação abaixo do teto da meta no ano.

Agora, o mercado está otimista para 2017. O relatório Focus do Banco Central publicado no dia 10/02 mostra que a expectativa do mercado é de que a inflação esse ano fique até abaixo do centro da meta, e que a taxa SELIC caia para 9,5%. Após a “turbulência” inflacionária, o Real deu mais uma demonstração de resistência. Essa maior resistência se deve às reformas estruturais realizadas nos anos 1990 e que aparentemente terão continuidade no governo Temer. Que venha um novo período de conquista de maturidade para nossa economia e para nossa moeda.