Mateus Solano

Mateus Solano
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Por Michele Marreira

Após interpretar o maquiavélico Rubião em “Liberdade, Liberdade” e fazer o público rir no humorístico da “Escolinha”, Mateus Solano se prepara para protagonizar “Pega Ladrão”, próxima novela das sete. O camaleão das artes ainda encontra tempo para excursionar com o espetáculo “Selfie” pelo país.

Ele é o mestre das artes cênicas independente da linguagem. Aos 35 anos, Mateus Solano conquistou seu espaço no coração do público brasileiro. Tudo começou nas aulas de teatro da escola Tablado. Sua estreia na telinha se deu no ano de 2003, fazendo uma participação na série policial “Linha Direta” da Rede Globo. Passou cinco anos integrando o elenco de apoio da emissora. Na emissora contabiliza no currículo mais de vinte trabalhos, entre séries e novelas. Mesmo casado e pai de dois filhos, o astro consegue equilibrar os cuidados com a família e seus projetos profissionais. O ritmo anda mais frenético do que nunca. No ar na segunda temporada da “Escolinha do Professor Raimundo”, na pele do exibido Zé Bonitinho, ele está prestes a se despedir do humorístico, para viver o protagonista da próxima novela das sete, intitulada “Pega Ladrão”. Enquanto não estreia o projeto, ele aproveita para viajar com seu espetáculo teatral, “Selfie”, ao lado do ator e amigo Miguel Thiré.

Como foi emendar dois trabalhos tão distintos como “Liberdade, Liberdade” e “A Escolinha do Professor Raimundo”?

Mateus Solano: A gente se diverte muito. Só recebemos o nosso texto, dá para rir com os nossos colegas. As pessoas sempre me perguntam se o Rubião me trazia um peso, uma carga negativa e tal… Pelo contrário. Eu jogo esse peso ali na cena, saio leve (risos).

Você está em processo de composição para interpretar o próximo mocinho das sete, certo?

Mateus Solano: Sim. Vou fazer a novela “Pega Ladrão”, no horário das sete. A novela vai retratar situações que ocorrem em nossa cultura, fala sobre justiça e o “jeitinho brasileiro”.

De que maneira surgiu a paixão pela arte da atuação?

Mateus Solano: Comecei no colégio, depois fiz um curso extracurricular. Sempre gostei muito de ir ao teatro na infância. Com quinze anos, pedi ao meu amigo Fernando Caruso, para assistir a uma de suas aulas no Tablado. Não saí mais de lá. Costumo dizer que eu era “rato” do Tablado, porque ia assistir às aulas, mesmo sem ser matriculado. Ficava escondidinho no fundo da plateia, fazendo anotações, assistindo e aprendendo. Mas foi depois da minha estreia, em 1996, com a peça “A Aurora da Minha Vida”, que me apaixonei definitivamente pelo teatro.

Conta um pouco do seu personagem no espetáculo “Selfie”.

Mateus Solano: Claudio um dia perde todas as suas informações que continha no celular, descobre que toda a sua vida estava lá, e se pega confuso sem saber o que fazer. Através das figuras de sua vida, começa a procurar a si próprio, já que colocou tudo que é na memória do celular.

Qual personalidade você tem vontade de tirar uma selfie?

Mateus Solano: Eu tinha vontade de tirar com o Michael Jackson, mas não será mais possível (risos).

No espetáculo, você e Miguel Thiré utilizam bastante o imaginário e a expressão corporal. Como foi incorporar essas técnicas no espetáculo?

Mateus Solano: Eu sou um ator que será eternamente um estudante. Digamos que não recuperei essas técnicas, mas estou sempre as exercitando. Eu e Miguel já temos uma parceria nesse sentido, em outras três peças só usávamos o corpo para avisar onde estávamos, quem éramos e qual era nosso objetivo em cena.

Então cada pessoa da platéia interpreta da sua forma os objetos imaginários das cenas?

Mateus Solano: Exatamente. E o Miguel tem um papel importante na peça porque falamos de tecnologia sem competir com ela. Ao contrário. Fazemos de uma maneira que só a simplicidade do teatro é capaz de trazer. Utilizamos a imaginação do tema para contar as histórias. Cada pessoa enxerga um espetáculo de uma forma diferente; seja uma cadeira, mesa ou vestimenta para os inúmeros personagens que o Miguel interpreta. Falamos do mundo virtual usando a imaginação do público.

Você é um dos atores mais versáteis da sua geração. Consegue transitar entre o cômico e o trágico, encarnando diferentes perfis. Como é possível construir tantas ‘personas’ muitas vezes em pouco tempo?

Mateus Solano: É possível sim. Basta olhar o exemplo do Miguel na peça, ele faz 10 personagens em 50 minutos. Isso é tão bacana,  É a minha alegria fazer personagens tão diferentes, me encanta.

O que você pensa sobre o uso excessivo da tecnologia, da internet utilizada em demasia no mundo atual, situação abordada na peça em alguns momentos de forma extremista e caricata?

Mateus Solano: A peça critica ao mesmo tempo em que nos faz refletir, mostra os prós e os contras, essa é um pouco a nossa função ali. Eu concordo com o Miguel, quando ele diz que ainda estamos nos lambuzando muito dessa novidade que é o celular, nossa relação com o mundo virtual. É um espetáculo que fazemos há mais de dois anos e ele não envelheceu.

Você se incomoda com o título de galã?

Mateus Solano: Não, de jeito nenhum. Entendo a necessidade da imprensa de rotular as pessoas. Mas a verdade é que minha profissão é uma das mais plurais que existem. O personagem pode ser galã, o ator nunca. Meu esforço sempre é fazer o melhor trabalho possível. Sou apaixonado pelo que faço. Sempre adorei fazer os personagens mais diversos possíveis. Conquistei a confiança do público através do meu trabalho.

Mais algum projeto para 2017?

Mateus Solano: Devo lançar o filme “Talvez uma História de Amor”.