Privatização e cidadania

O caos recente gerado pela política de preços da Petrobrás nos mostra que a privatização deixou de ser uma política econômica: é um ato de civilidade

Privatização e cidadania
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Toda a população brasileira foi afetada pela greve dos caminhoneiros, com prejuízos bilionários para diversos setores, falta de abastecimento de diversos produtos dentre tantos outros efeitos. Sem entrar no mérito da legitimidade das manifestações, a verdade é que elas só tiveram tamanho impacto porque contam com amplo apoio da população.
Mas se as manifestações são (pelo menos eram no início) contra o aumento do Diesel, que não é utilizado por grande parte da população, porque o povo a apoiou tão intensamente? Por que a Petrobrás é um símbolo histórico de corrupção e ingerência política, e a população viu na greve dos caminhoneiros uma maneira de protestar contra isso e contra o impopular governo Temer.

Agora imaginemos uma situação hipotética onde a Petrobrás fosse uma empresa privada. Será que sem a improdutividade gerada pela nomeação política a cargos dentro da empresa e sem os danos gerados pela corrupção o preço dos seus produtos seriam os mesmos? Dificilmente seriam iguais ou maiores. Será que a revolta popular seria a mesma se a presidência e os conselheiros da empresa não fossem escolhidos pelo governo Temer? Dificilmente o apelo popular seria tamanho.

É claro que não podemos pautar a privatização de um colosso como a Petrobrás baseados nos efeitos de uma manifestação, porém esses pontos elencados acima se somam a vários outros pontos positivos. Para facilitar a demonstração utilizarei uma versão resumida dos pontos levantados por Adriano P. Rodrigues e Fabio Giambiagi no artigo “A agenda de médio e longo prazo no Brasil e o futuro da Petrobrás”, que são: i) redução da dívida pública; ii) retomada dos investimentos por parte das empresas privatizadas; iii) modernização do parque industrial do pais; iv) aumento da eficiência microeconômica; v) redução do déficit público; dentre outros.

Ou seja, a receita da privatização geraria uma redução da dívida pública; um novo controlador em melhor situação financeira poderia impulsionar os investimentos da companhia, que foram reduzidos para cobrir os rombos gerados pela administração durante o governo Dilma; modernização da tecnologia através da internalização de tecnologia que o comprador possui; aumento da eficiência pela gestão privada e redução do déficit público, pois o Estado não precisará mais realizar aportes para a companhia.

Ou seja, com a privatização da Petrobrás dificilmente o cenário calamitoso que presenciamos se repetiria. Com nossas atividades e direitos mais básicos comprometidas nos últimos dias, como o direito de ir e vir, a privatização de nossa maior estatal deixa de ser uma política econômica e passa a ser um ato de civilidade.

Por Alef Dias