Sérgio Moro

Há aproximadamente quatro anos se iniciava um árduo processo de limpeza na política brasileira (que ainda está longe de ser concluído) com a operação Lava-Jato, a maior iniciativa de combate à corrupção da história do Brasil.

Sérgio Moro
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Foram vários fatores e atores que permitiram o florescimento dessa operação, mas nenhum se tornou tão famoso e tão representativo quanto o juiz federal Sérgio Moro, responsável em comandar os julgamentos em 1ª instância da Lava Jato. A celeridade e eficiência com que o juiz tem conduzido a operação, mantendo a imparcialidade, mas atraindo o apoio da opinião pública para a operação, fizeram com que o juiz se tornasse a principal figura no combate à corrupção no Brasil, sendo eleito pela Blomberg a 10ª personalidade mais influente no mundo em 2016 e recebendo diversas homenagens e condecorações de diversas instituições mundo afora.

Sérgio Fernando Moro, 46 anos, nascido em Maringá-PR, é o caçula (tem um irmão mais velho) da união do professor de geografia Dalton Áureo Moro com a professora de português Odete Starki Moro. Criado em uma família de classe média e com os pais professores, desde cedo aprendeu a valorizar muitos os estudos. Os pais também estiveram envolvidos em diversos projetos sociais, o que suscitou no juiz a preocupação com a desigualdade social e a justiça.

Sempre muito dedicado, Sergio Moro conquistou uma vaga na Universidade Estadual de Maringá (UEM), aonde concluiu o curso de Direito no final de 1994. Dois anos depois, passou em um concurso e se tornou juiz federal. Em 1998, participou de um curso para especialistas em Havard (EUA), e em dezembro daquele ano foi promovido a juiz titular em Cascavel-PR, onde inaugurou a respectiva Vara Federal.

Entre 1999 e 2002, chefiou a 3ª Vara Federal de Joinville-SC. Entre 2003 e 2007, trabalhou no caso Banestado, um mega esquema de desvio de dinheiro, inicialmente por meio de uma agência do banco em Foz do Iguaçu devido a um descontrole nas chamadas contas CC-5, que permitiu escoar R$ 28 bilhões para o exterior, recursos esses vindos de rendimentos de caixa dois de empresas, de políticos e do crime organizado, que resultou na condenação de 97 pessoas.

O juiz também trabalhou na Operação Farol da Colina, um desdobramento do caso Banestado, onde decretou a prisão temporária de 103 suspeitos de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Apesar desses números, nenhuma grande figura política foi presa. Muitos afirmam que a dimensão atingida pela Lava-Jato só foi possível graças à experiência adquirida por Moro, pelos procuradores e pela PF no caso Banestado.

Em 2007, já doutor em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autor de três livros jurídicos, Moro tornou-se professor adjunto de direito processual penal da UFPR.

Em seguida, Moro esteve à frente da Operação Zapata, que resultou na captura do traficante de drogas mexicano Lúcio Rueda Bustos. Ele pertencia ao temido Cartel de Juárez, um dos maiores do mundo. Moro condenou Bustos a 10 anos de prisão por lavagem transnacional de dinheiro do tráfico e determinou a venda dos bens de Bustos, que atingiu R$ 13,7 milhões. O valor é considerado o mais alto já arrecadado em leilão de pertences de um traficante no país. Um conhecido do juiz afirma que, na época, Moro recebeu ameaças de morte e precisou recorrer a seguranças e carro blindado.

Em 2012, foi auxiliar da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber no caso do Escândalo do Mensalão. Weber o convocou devido à sua especialização em crimes financeiros e no combate à lavagem de dinheiro. Em 8 de março de 2018, foi exonerado, a pedido, do cargo de professor da UFPR. Atualmente, é o juiz da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Sergio Moro construiu uma carreira brilhante e tem realizado um trabalho exemplar no julgamento em 1ª instância da Lava Jato, mas o próprio afirmou em entrevista recente que as eleições deste ano serão essenciais para a continuidade e eficácia da Lava Jato.
Devemos eleger lideranças comprometidas com o combate à corrupção, para que novas leis sejam aprovadas no sentido de inibir a corrupção e para que as investigações em andamento não sejam atrapalhadas.

Como pudemos perceber, Sergio Moro já fez e tem feito muito por nosso país, agora é a hora de nosso país fazer algo por Sergio Moro, e a oportunidade estará nas urnas em outubro.